quinta-feira, 9 de julho de 2009

Alegoria da Caverna... (releitura)



Eu vivia numa caverna escura
Lá fora, havia uma luz forte
Eu e meus colegas amarrados
Mãos, pés e cabeças.

Tudo que passava na entrada da caverna
Fazia sombras nas paredes
Nós amávamos as sombras
Conhecíamos todas elas
Acreditávamos doutores em sombras.

Éramos fanáticos, dogmáticos, céticos
Nossa religião, nossa vida, nossos títulos
Eram nosso orgulho de vida
Só nós éramos os bons
Só nós éramos os sábios
Só o nosso deus era o verdadeiro
Só nós tínhamos a verdade absoluta
Só nosso mestre era o certo
E o único filho de Deus.

Um dia apareceu alguém
Vindo de fora
Me arrancou das correntes que me prendiam
Me levou para fora
Eu vi a luz do Sol direta nos meus olhos
Ela me cegou
Quando me acostumei
Vi o mundo, o céu, a natureza linda
Os rios, as montanhas, o mar, os animais
As arvores, o amor, o Universo
Vi um mundo lindo.

Voltei para a caverna onde eu havia morado
Fui buscar meus colegas doutores em sombras
Eles ficaram com medo, eram doutores
Não queriam perder seus status
Mas eu arranquei as correntes
Eles se debatiam, querendo me matar
Pela violência que eu tentava retira-los
E eles tentando ficar.

Arranquei alguns
Mostrei o Mundo Lindo
Eles acharam que iriam morrer
Ou ficar cegos com o Sol
Como eu anteriormente
Mas logo viram o Mundo Lindo
E se apaixonaram
Ficaram durante muito tempo
Contemplando o Mundo Lindo
Até que um dia surgiram pessoas
Que tentaram dominar e mandar em tudo
No nosso Mundo Lindo
Que até então, não haviam regras
Até então só existia o Livre Arbítrio.

Esses homens descobriram outra caverna
E na entrada colocaram uma faixa bem grande
Escrito “MUNDO LINDO”
Nós iludidos, entramos nessa nova caverna
Lá nos acorrentaram novamente
E nos davam imagens em papeis, filmes e fotos
Com o sol, o céu, a lua, as montanhas, o mar, os rios
E um papel bem grande escrito, “felicidade”
“amor”, “liberdade”, “livre arbítrio”, “evolução”
“conhecimento”, “doutrina”, “conduta”, “honestidade”.

Mas, eram tudo imagens num papel,
E Eu não esqueci do verdadeiro Mundo Lindo
Da verdadeira Honestidade, da verdadeira Felicidade
Da verdadeira liberdade e do verdadeiro Livre Arbítrio
E das promessas desse “MUNDO LINDO”
Dentro da caverna.

Mas, estávamos acorrentados
Eu precisei de um esforço imenso
E me libertei novamente dessas correntes
Não podia aceitar outras correntes
Depois de ser livre
Depois de ter conhecido o verdadeiro
Mundo Lindo.

Me libertei novamente
E estou em busca de novo
Do Mundo Lindo
Estou novamente na porta da nova caverna
Saindo...
Estou de joelhos, com dor nos olhos
Pois a luz, a princípio cega
Aqueles que viveram muito tempo no escuro
Da caverna, de qualquer caverna

Fica a tristeza
De lembrar dos colegas
Presos novamente às correntes
Mas, novamente tenho que buscar
Sozinho, o Mundo Lindo
O verdadeiro Mundo Lindo
E o caminho é Sozinho...

By Meier (relendo “a República” By Platão)

5 comentários:

  1. eu adoro essa historia, ela mostra como eh as religioes de hoje em dia, eu lembro dessa contada como se fosse hoje, =D

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  2. Gostei. Mto bom !!!
    Há alguns correções a fazer (gramática e ortografia).
    A ideia é original e a releitura poética que fez da obra junto com os seus princípios ficou muito interessante.
    Parabéns!

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